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O QUE É UM ALIMENTO ORGÂNICO
Em 23 de dezembro de 2003 foi sancionada a Lei N. 10.831 que dispõe sobre a agricultura orgânica e dá outras providências. A lei estabelece o que se entende por sistema orgânico e estabelece as normas de produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e de certificação da qualidade para os produtos orgânicos de origem vegetal e animal.
Quando podemos dizer que um produto alimentar é orgânico ?
Para comercializar um alimento como orgânico e poder utilizar o selo de garantia, é preciso que o alimento contenha 95% ou mais de ingredientes de origem da agricultura orgânica.
Como saber se o produto é orgânico ?
No Brasil já existem instituições certificadoras e associações que são responsáveis pelo acompanhamento e fiscalização da produção. Cerca de 20 certificadoras estão atuando no Brasil. No Paraná as principais são: Rede Ecovida de Agroecologia e Instituto Biodinâmico (IBD).
O que significa um alimento certificado ?
A certificação é um processo de inspeção das propriedades agrícolas, realizada com uma periodicidade que varia de 2 a 6 meses, para verificar se o alimento orgânico está sendo cultivado e processado de acordo com as normas de produção orgânicas. O foco da inspeção não é o produto, mas a terra e o processo de produção. Assim, uma vez credenciada, a propriedade pode gerar vários produtos certificados, que irão receber um selo de qualidade, desde que observados requisitos de qualidade; rastreabilidade; sustentabilidade e padrão de vida dos trabalhadores.
Em que a preparação do alimento orgânico é diferente?
Os transformadores de produtos orgânicos são obrigados a respeitar as normas de regulamentação. Eles são confrontados com uma dificuldade maior, a de dispor, em quantidade e qualidade suficiente, de matéria primas necessárias a sua produção. Um exemplo: Para fazer um suco de uva orgânico, o transformador deve encontrar variedades que foram produzidas de forma orgânica e não utilizar nenhum tipo de corante ou conservante no processamento.
VERDADES E MITOS SOBRE AGRICULTURA ORGÂNICA
· Os alimentos produzidos organicamente tem mais proteínas e vitaminas.
VERDADE. Análises de laboratório comprovam que os vegetais produzidos organicamente chegam a ter cinco vezes mais proteínas e vitaminas que os provenientes de solos fertilizados quimicamente. O laboratório da Universidade de São Paulo comprovou que o ovo de galinha caipira tem cerca de quatro vezes mais caroteno (Vitamina A), que um desses ovos grandes produzidos em granjas modernas com insumos industriais. As galinhas soltas se alimentam de folhas e gramíneas, fontes dessa vitamina.
· Alimento integral é o mesmo que orgânico.
MITO. Nem todo alimento integral é produzido de maneira orgânica. O arroz integral, por exemplo, é produzido por produtores convencionais, com o uso de agrotóxicos.
· Verdura hidropônica é a mesma coisa que orgânica.
MITO. A verdura hidropônica não usa terra, apenas água para ser produzida. Os fertilizantes altamente solúveis (proibidos pela agricultura orgânica), como a uréia, por exemplo, são diluídos na água. Neste caso, a planta recebe "fertilizante na veia", tem um teor de nitrato maior (produto potencialmente cancerígeno) e apresenta um prazo de durabilidade menor.
· A conversão de uma propriedade convencional para orgânica pode levar até 4 anos.
VERDADE. O período de conversão é o mais difícil para os agricultores. É como abandonar um vício. Num primeiro momento, a planta não responde sem o apoio químico. Solo e meio ambiente estão debilitados, dificultando a nutrição e defesa natural da planta. A conversão leva em média três anos, até que a terra recupere seu equilíbrio e volte a dar lucro. As certificadoras concedem prazo máximo de 4 anos para a conversão.
· As verduras orgânicas são menores, mais feias e caras.
MITO. Como não são usados agrotóxicos, os vegetais podem ser atacados por insetos e doenças. As vezes podem aparecer furos e larvas, o que é um bom sinal. Na verdade, os produtos têm o tamanho e aspecto normal. Os vegetais convencionais, muitas vezes, são maiores devido aos aditivos. Quanto ao preço, a diferença é maior nos supermercados, porém tende a diminuir com o aumento da oferta. Na feira a diferença é muito pequena, pois o consumidor adquire o produto diretamente do produtor.
COMO REDUZIR RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS DOS ALIMENTOS CONVENCIONAIS
· Dê preferência para compra de frutas e verduras da época. Fora da estação adequada é quase certo que uma fruta, verdura ou legume tenha recebido cargas maiores de agrotóxicos. É por isso que, quando você não encontrar tomate, cebola ou outros produtos na feira orgânica, é porque não está na época deles. E, você poderá escolher outro produto que os substitua em termos nutricionais;
· Como ainda existe pouca fruta produzida organicamente, procure sempre descascar as frutas, em especial os pêssegos e maçãs. Alguns resíduos de agrotóxicos repousam nas cascas;
· Lave bem as frutas e verduras em água corrente durante pelo menos 1 minuto ou coloque-as numa solução de água (1 litro) com um pouco de vinagre (4 colheres), durante 20 minutos;
Atenção: Como a maior parte dos agrotóxicos são "sistêmicos", ou seja, quando aplicados nas plantas circulam através da seiva por todos os tecidos, descascar e lavar frutas não garante a eliminação total dos resíduos de agrotóxicos.
Dica : Coloque um morango com agrotóxico numa embalagem fechada e deixe-o ali por duas semanas. O resultado é uma mistura malcheirosa e escura. Se você fizer o mesmo com um morango orgânico, terá coloração clara e odor avinagrado. Esse teste serve apenas de alerta! É mero aviso dos males dos agrotóxicos.
· Retire folhas externas das verduras que, em geral, concentram mais agrotóxicos;
· Retire a gordura das carnes e pele de frango. Algumas substâncias tóxicas se acumulam em tecidos adiposos;
· Diversifique nas hortaliças e frutas. Além de propiciar uma boa mistura de nutrientes, isso reduz a chance de exposição a um mesmo agrotóxico empregado pelo agricultor;
· Dê preferência aos produtos nacionais e de sua região. Alimentos que percorrem longas distâncias, como os importados (Argentina, Chile, Espanha, etc.), normalmente são pulverizados pós-colheita e possuem um alto nível de contaminação por agrotóxicos;
Autor: Moacir Roberto Darolt Eng. Agrônomo, Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento (UFPR x Université Paris VII) Presidente da Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (ACOPA) darolt@pr.gov.br